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JENNIFER ELEN ELEN
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1.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
5 mins • 7 pts
1. Leia o texto: O suor e a lágrima Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o voo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos. Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o trono de um rei desolado de um reino desolante. O engraxate era gordo e estava com calor – o que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando posso estou sempre de tênis. Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante. Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo instante o usava para enxugar-se – caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano. E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados. Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias. Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima. CONY, Carlos Heitor. Figuras do Brasil – 80 autores em 80 anos de folha. Publifolha: São Paulo, 2001, p. 319. Dadas as afirmativas acerca do texto, I. Ao problematizar uma situação cotidiana, o narrador faz referência a dois elementos que, à primeira vista, são incompatíveis do ponto de vista semântico: suor e lágrima. II. Apesar da narrativa não ser linear, o autor, pela sucessão de ações que descrevem o ambiente e os personagens, cria uma relação de ideias em cada trecho do texto. III. O gênero textual em questão é uma crônica, por apresentar um certo subjetivismo na linguagem. IV. As marcas de subjetividade que aparecem no texto comprometem a consistência da argumentação apresentada pelo autor. verifica-se que está(ão) correta(s) apenas:
2.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
2. Leia um trecho do poema da santomense Alda Graça, atentando para a mensagem que o “eu poético” procura transmitir. No mesmo lado da canoa Minha irmã, lavando, lavando p'lo pão dos seus filhos, minha irmã vendendo caroço na loja mais próxima p'lo luto dos seus mortos, minha irmã conformada vendendo-se por uma vida mais serena, aumentando afinal as suas penas... É para vós, irmãos, companheiros da estrada o meu grito de esperança GRAÇA, Alda. No mesmo lado da canoa. Disponível em: . Acesso em: 2 fev. 2021. A ideia de união contida no título é ressaltada, ao longo do poema, devido ao:
3.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
3. (IESAM) Na semana seguinte à publicação do texto: “Brasileiro pode faturar com Copa e Olimpíada”, na revista Veja, alguns leitores enviaram à edição sua opinião sobre o tema, conforme segue: É hora de arregaçar as mangas e deixar de ser o eterno país do futuro. O Brasil, e não apenas o Rio, tem a grande chance de mostrar ao mundo que já é um país de respeito e não pode deixar mais este bonde passar. Nosso país tem a chance única de sediar e organizar os dois maiores eventos esportivos do mundo num prazo relativamente curto. Jamais um país teve ou terá tanta visibilidade durante tanto tempo. Serão seis anos de holofotes por toda a mídia mundial, mostrando tudo de que o Brasil e os brasileiros são capazes. Vamos parar de romancear a malandragem e o jeitinho brasileiro. Eles não têm mais espaço neste mundo. (Renzo Grosso, São Paulo, SP) A escolha do Rio, do Brasil, para sede dos Jogos Olímpicos de 2016 vai muito além do horizonte esportivo. As demandas da infraestrutura necessária serão fatores importantes para sustentar um novo tempo de crescimento, de desenvolvimento. Chegou a hora de a engenharia brasileira mais uma vez mostrar o seu valor. A engenharia é a força indutora do desenvolvimento e o ímã do progresso. As obras e os projetos necessários para a Olimpíada, aliados aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, movimentarão e aquecerão a economia do nosso país. Vamos avançar, Brasil. Recessão nunca mais. (Paulo Cesar Bastos, Salvador, BA) Considerando os textos, assinale a alternativa correta:
4.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
4. Leia o poema, atentando para os sentidos das palavras utilizadas. A canção do africano Lá na úmida senzala, Entoa o escravo o seu canto, E ao cantar correm-lhe em pranto Saudades do seu torrão... Ao canto, e o filhinho esconde, Talvez pra não o escutar! E a escrava acabou seu canto, Pra não acordar com o pranto O seu filhinho a sonhar! ALVES, Castro. A canção do africano. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000009.pdf. Acesso em: 28 fev. 2022. No trecho lido, observa-se o sentido de “canto” como sendo um:
5.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
5. Leia o texto a seguir e responda à questão. Não Ameis a Distância! Em uma cidade há um milhão e meio de pessoas, em outra há outros milhões; e as cidades são tão longe uma da outra que nesta é verão quando naquela é inverno. Em cada uma dessas cidades há uma pessoa; e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor a distância? Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita? A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu a semana passada... e as semanas passam de maneira assustadora, os domingos se precipitam mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando – “outra semana!” e as quartas já têm um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto... Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muita vez ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência – e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direis que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las! Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria pessoa amada mesma, o seu vero cabelo, e o vero pelo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui – e isso não há. Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor a distância. Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos... Não ameis a distância, não ameis, não ameis! (BRAGA, R. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2013. p.435-436.) A respeito dessa crônica, considere as afirmativas a seguir. I. A crônica retrata a comunicação falha entre os casais e o tempo como um dos empecilhos para a manutenção dos relacionamentos. II. A distância retratada na crônica é uma metáfora, pois há muitos casais que vivem juntos, mas não se encontram. III. Para o eu do cronista, a distância não é o fator principal da falta de amor, mas a correria do dia a dia, que nos leva a substituir prioridades. IV. Sua ideia central retrata os relacionamentos a longa distância e a impossibilidade de êxito, dada sua falta de cultivo diário. Assinale a alternativa correta:
6.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
6. Leia o texto: Manifesto ao povo mineiro [...] Segundo pensamos, união é harmonia espontânea e não unanimidade forçada, convergência de propósitos lúcidos e voluntários e não soma de adesões insinceras. Um povo reduzido ao silêncio e privado da faculdade de pensar e de opinar é um organismo corroído [...]. Se lutamos contra o fascismo, ao lado das Nações Unidas, para que a liberdade e a democracia sejam restituídas a todos os povos, certamente não pedimos demais reclamando para nós mesmos os direitos e as garantias que as caracterizam [...]. CARDOSO, Adauto Lúcio et al. Ao povo mineiro. Disponível em: https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.asp A linguagem utilizada no manifesto possui atributos particulares. Em especial, a escolha vocabular dos termos enunciados pela produção acima:
7.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
3 mins • 7 pts
7. Leia o texto: Manifesto Surrealista [...] Em homenagem a Guillaume Apollinaire, que morrera há pouco, e que por diversas vezes nos parecia ter obedecido a um arrebatamento desse gênero, sem, entretanto, ter aí sacrificado medíocres meios literários, Soupault e eu designamos com o nome de SURREALISMO o novo modo de expressão pura, agora à nossa disposição, e com o qual estávamos impacientes para beneficiar nossos amigos. [...] Ainda com maior razão poderíamos ter-nos apossado da palavra SUPERNATURALISMO, empregada por Gérard de Nerval na dedicatória de Filles du Feu*. [...] parece que Nerval possuiu às mil maravilhas o espírito ao qual recorremos, enquanto Apollinaire não possuía senão a letra, [...]. BRETON, André. Manifesto surrealista. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ma000015.pdf. Glossário Filles du Feu: Filhas do fogo (coleção de obras de prosa curtas, poesia e uma peça publicada pelo poeta francês Gérard de Nerval, em janeiro de 1854) O trecho apresentado pode ser caracterizado como pertencente a um manifesto, porque ele:
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